É essa a idéia que percebi ao visitar um flog de um ex-aluno (eterno professor) Victor: Estamos bem mesmo sem você.
Deixe me explicar, não que o perceba como se estivesse jogando algo na minha cara, (algo como “ta vendo?? Você não acreditava? To aqui, e bem.” ) assim como não o entendo me agradecendo pelos serviços prestados é, na verdade, um misto dos dois.
É como se fosse, e talvez seja, um aprender e, como todo aprender, é permanente. Estou aprendendo com meu passado, com aqueles que de alguma forma fizeram parte dele. A cada dia mais percebo que esse passado faz parte do que sou. Hoje penso que sou aquilo que fiz de mim, mas não me fiz sozinho e sei que todos aqueles que me fizeram, certamente, se fizeram comigo.
Ontem, quatro de abril de 2008, vi duas cenas que me fizeram mais indignado. Foram, obviamente, duas cenas de abuso de poder de educadores com seus educandos. Sempre vejo essas cenas, são comuns embora tristes, mas ontem pela primeira vez vi uma que justificaria um “tapa na cara” da professora, sei que no futuro vou me arrepender de ter escrito isso, mas juro que se fosse pai daquele aluno teria, de alguma forma, agredido a professora.
Sei que não posso fazer isso, nem muito menos pregar isso. Mas essa indignação corrói-me. Machuca-me.
Fiquei apenas com a esperança de saber que farei de tudo para que um dia esse aluno possa demonstrar: Estamos bem mesmo sem você. E imploro para que eu entenda: Obrigado por tudo, e que cada educador veja da sua forma, mas seja justo e coerente com o que vez.
Essa imagem acabou com meu dia, a cena ficou na minha cabeça por horas e, por um instante, pensei que iria sair. Mas, assim como tudo, essa cena hoje faz parte de mim, assim como faz parte daquele aluno, daquela professora, daquela escola. Marcas que jamais serão esquecidas.
São essas marcas, as por nos deixadas em outros e as por outros deixadas em nos, que definem como estamos, são elas que fazem que as pessoas se aproximem ou se afastem de nos. Elas são nosso “cartão de visita”.
Na semana passada uma amiga falava comigo. Estava indignada com o fato das pessoas rotularem as gentes, as pessoas. Naquele dia expliquei a ela algo que já escrevi aqui no blogger sobre rótulos:

“Não luto para mudar isso, afinal cada um tem o direito de ver as pessoas a sua forma, da sua maneira e é isso que nos diferencia dos animais, nunca vi um cachorro olhando para o outro como quem diz, olha que cachorro mais vagabundo, ou então, gostei deste cachorro, ele parece ser legal.
Julgar faz parte da natureza humana e essa intuição sobre os outros parece ser salutar, mas tomar essa intuição como verdade absoluta, isso não me parece correto.
Tenho todo o direito de pensar: “Fulano é um encosta, não faz nada e vive apoiado na sombra de beltrano” mas esse direito me traz a obrigação da dúvida, será que ele realmente é assim ou eu o vejo assim? E, agora filosofando um pouco, fulano é assim ou ele está assim?”

Essa mesma amiga, na noite do dia quatro, me falou no msn algo sobre “achar lindo” a minha vontade de mudar o mundo, a minha paz, minha calma. Percebi que, ao menos a ela, essa é a minha marca. O meu rótulo. E sinceramente? Estamos bem apesar de vocês “coisificadores” de humanos.
Essa garota salvou minha noite de sono e fico grato a isso.
Minha professora de avaliação diz:
Aprendemos, apesar da escola.
Hoje eu digo:
Sobrevivemos, apesar da escola.

Abraços a todos
Nivaldo Junior

(1) - Essa é a tradução do titulo de um filme italiano: Anche Libero va Bene: um filme que trata relacionamento de um pai, abandonado pela mãe e pela esposa, com seus filhos, um casal. A idéia de usar a tradução do título é justamente essa: Estamos bem mesmo sem você.