Março 2008
Arquivo Mensal
A educação para vida…
Arquivo Mensal
Publicado por Nivaldo Jr em 23 Mar 2008 | sob: Pensamentos
Páscoa, do hebreu “pessach” (passagem).
Da morte vicária – de cristo – para a sua vida (eterna).
Da escravidão para a liberdade do povo Judeu.
Não sou muito religioso no sentido de freqüentar templos e louvar o que quer que seja. Minha fé é uma fé mais ativa do que estagnada. Não é uma “fé” de esperar acontecer é, porém, uma fé no fazer. Explico, pois não sei que raios d’água deu em mim que me deu uma vontade enorme de escrever sobre a páscoa e, talvez mais estranho ainda, estudar sobre a páscoa.
Dentre todos os sentidos da páscoa há três os quais gostaria de me ater neste texto.
A Páscoa tem o sentido de libertação.
A Páscoa tem o sentido de ressurreição.
A Páscoa tem sentido de renovação.
Há uma característica importante em todos os três significados. O Sufixo ção.
“O sufixo –ção é, pois, um morfema agentivo/causativo , já que se adjunge a verbos agentivos/causativos, que exigem um agente: nomear/nomeação, declarar/declaração, punir/punição reparar/reparação, fundir/ fundição etc. O morfema causativo, segundo Chafe (1979, p.131), converte uma raiz verbal que é processo em uma que, por derivação, denota tanto processo como o resultado da ação.” Solange Mendes Oliveira
Logo os sentidos de Libertação, ressurreição, renovação, não estão apenas associados ao resultado da ação acontecida e, talvez, a páscoa não tenho apenas o significado de comemorarmos a Libertação, a Ressurreição e a Renovação que aconteceu num tempo passado, mas sim lembrarmos de vivermos essas ações de libertar, de nascer e de fazer o novo todos os dias.
É assim então que me vejo, vivendo estes processos. Não comemoro então a libertação acontecida, lembro-me de buscar, na minha prática, essa liberdade que não é só minha liberdade. É a liberdade de uma espécie, de um povo.
Outro ponto curioso a mim é o prefixo re que significa fazer novamente, fazer de novo. Mas não indica um começar do Zero. Partir do começo esquecendo o já feito.
Renascer – Nascer novamente, mas não nascer esquecido daquilo que viveu. Nascer sabendo o que errou, onde errou e, desta forma, nascer para o acertar, o pensar certo. O mesmo se aplica a renovar – que não é apenas fazer o novo do nada, mas um novo permeado pelo nosso velho, velho que será novo, de novo.
Mas renascer ou renovar dói. Não é o partir do zero, esquecendo nossas dores e angustias é pensar nas dores e sobre as dores. É, muitas vezes, sofrer em dor, ver o que se nega enxergar, é sentir o que não se quer sentir. É ser não aquilo que se quer ser, mas sim aquilo que se precisa ser. É renascer para o renovar.
É, então, nesse sentido que penso a páscoa e, é por isso que, vivo a páscoa todo dia. Pois, a mim educador, preciso libertar todo dia, preciso nascer do erro todo dia e preciso ser novo do meu velho todo dia.
Uma vida de páscoa é o que antes de desejar a todos e todas, espero de todos e todas.
Abraços a todos e todas.
Nivaldo Junior.
Publicado por Nivaldo Jr em 02 Mar 2008 | sob: Pensamentos
Graças a Deus o ano letivo começou e faço as coisas que mais amo. Estou em sala de aula. Seja como aluno, seja como professor, sinto que meu lugar é justamente ali. Entre pessoas que querem aprender e pessoas que querem ensinar.
Um dia me perguntaram o que me leva a dar aula, ia responder sem titubear, dou aula porque amo. Titubeei. Acho que não é por amar que dou aula, pois também amo jogar vídeo-game, futebol, etc. Percebi, então, que leciono pelo mesmo motivo que estudo, leciono por acreditar.
Acredito que as coisas podem ser diferentes, acredito que o mundo ainda tem salvação, acredito nos homens e nas mulheres. Simplesmente Acredito.
Esse simples ato de acreditar faz de mim um romântico. Não apenas um romântico de paixão, de amor, de bombom essas coisas, mas um romântico pela vida. Um romântico pelos homens e mulheres do mundo.
Daí hoje me perguntaram: Qual seu maior medo?
Daí sem hesitar respondi. De falhar… errei. O medo não está em falhar, está em “não acreditar mais”, em fazer por fazer. Em ensinar por ensinar, em “apreender” por “apreender”.
Tenho medo de viver por viver e, pior ainda, tenho medo de ensinar meu aluno a viver por viver. Ensinar meu aluno que a vida é assim mesmo. Que o mundo é assim.
Medo da “pedagogia da conformidade” que reina nas diversas escolas do meu país. Escolas essas que vão de programas na TV, passam por músicas “inocentemente” cantadas, revistas cuidadosamente elaboradas e, em algum momento, chegam a cartilhas pedagogicamente montadas.
Tenho pavor do conformismo e, talvez por isso, lute com tamanha veracidade. Luto a minha luta. Do meu jeito e com as minhas armas.
Talvez lute com amor ou(e) por amor ou(e) pelo amor. Mas sei que certamente luto por acreditar.
Abraços
Nivaldo Junior