Novembro 2007

Arquivo Mensal

O meme da página 161…

Publicado por Nivaldo Jr em 26 Nov 2007 | sob: Pessoal

Ola pessoas…

“ Sempre, ou no dia ou na noite, sempre – seja
Diverso – o mesmo olhar de desilusão
Lançado do alto da torre da ruína da igreja
Sobre o plaino vão!”

O post acima faz parte de uma brincadeira entre blogueiros: “O meme da página 161”.a idéia é pegar a quinta frase do livro mais próximo, postá-la em seu blogger e, feito isso, solicitar tal tarefa a cinco bloggers amigos.
Eu tive que “trapacear” um pouco.. Deixe-me explicar. O Livro mais próximo de mim era “A importância do ato de ler” que não tem nem 100 páginas, parti ao segundo, “O Corpo Fala“, só tem uma frase na página 161 e, por ultimo, “Luiz Fernando Veríssimo - Orgias“, 132 paginas apenas.
Então peguei o primeiro livro da estante mais próximo a mim - Fernando Pessoa - e a tarefa que era algo relativamente simples, quase se tornou uma webgincana.
Essa brincadeira chegou a mim pelo Boteco Escola do Professor Jarbas, e aqui vão os cinco bloggers amigos para os quais enviei a tarefa:

Bia Sato
Vania Karla
João Ortiz
Sheila Fávero
Prof. Kelen

Abraços a todos.

Apenas uma reflexão

Publicado por Nivaldo Jr em 13 Nov 2007 | sob: Pensamentos

“… um estudo verdadeiramente crítico da educação precisa ir além das questões técnicas de como ensinar eficiente e eficazmente – que são em geral as questões dominantes ou únicas questões levantadas pelos educadores. Esse estudo deve pensar criticamente a relação da educação com poder econômico, político e cultural.” (APPLE, 2006:pag7).

A frase acima é um presságio às reflexões que seguem.
Um estudo sobre a educação desassociado de questões sociais, econômicas e políticas terá um grau de relevância ínfimo. Quando decidi pesquisar o uso das tecnologias na educação, meu maior medo era, e ainda é, ocupar essa faixa de relevância, sendo pequeno o suficiente para, simplesmente, não ter razão de ser.
Lembro-me, então, de uma aula do com o professor Cortella, nela o professor comparava a educação a um grande barco e nós, educadores, poderíamos ficar no porão discutindo o como deveríamos remar, qual a velocidade ideal giro do braço, escreveríamos N cálculos sobre a “remada perfeita”, mais nunca discutiríamos para onde o barco está indo.
Compartilhar o leme.
É nessa linha que devemos focar na pesquisa para então responder: Para onde estamos indo?
Inegavelmente a tecnologia traz consigo novos arranjes à economia, à política, à sociedade, à cultura, etc. Novos recursos que aproximam (ou distanciam?) as pessoas, trazem a possibilidade de levarmos no bolso a maior fonte de dados já produzida pela humanidade, a internet, onde o registrar e o pesquisar dados nunca foi mais fácil. Mas, onde queremos chegar com tal recurso? E como estaremos ao chegar?
Neste contexto novas disciplinas e conteúdos foram atribuídos à escola, o ensino das tecnologias, e nas tecnologias, passou a ser um jargão, fora “sloganizado”, transformado em sinônimo de competência e modernidade.
Desta forma novas discussões sobre o uso ou não da tecnologia em sala de aula atingiu a sala dos professores, o computador deixou de ter uma posição neutra (a qual, a priori, acredito que nunca teve) e começou ou a ser tratado como responsável ou pelo fracasso ou pelo sucesso. Essa postura onde computador é algo bom ou ruim, livra, em partes, o Homem de qualquer tipo de culpa. O computador é ruim para a educação, não é o uso que o homem faz dele que torna-o ruim, é ele que não serve para educar. O mesmo se aplica quando afirmamos que o computador é bom para a educação, quem é bom é a tecnologia e não o homem que faz uso dela.
Levamos, desta forma, a discussão sobre Tecnologia e Educação a um patamar tolo, baseado em uma crença também tola do computador como único agente do processo. Seria como analisarmos qual a culpa da bala perdida em uma morte. Iríamos estudar qual o percurso dela, sua forma, ate poderíamos estudar qual o revolver que a disparou e chegaríamos a conclusão, que me parece obvia, sem armas não haveriam mortes por bala perdida. A culpa então é da arma e não do sujeito que o disparou.
Ora o computador, assim como a bala perdida, não tem vontade própria, não sabe (no caso da máquina ainda não sabe) agir sozinha, sem interferência humana. Se o uso de computadores na educação não atingiu todo o potencial que pode atingir, não nos cabe uma reflexão sobre a máquina, mas sim sobre o uso que dela se faz.
Esquecemos-nos de questões como: Qual cidadão podemos ajudar a formar com esse novo recurso? Como colocar o recurso a serviço da comunidade? Quais as necessidades dos alunos, e da sociedade, podem ser atendidas com esse recurso? E formulamos perguntas como: “O computador é bom ou ruim para o ensino fundamental?” Mas sabemos que o computador, a priori, assim como qualquer “invento”, não pode ser bom ou ruim. Ele é aquilo que a pessoa que o usa faz.
Cabe a nós decidirmos como queremos usar esse invento na educação e, para tanto, é necessário uma reflexão não sobre o computador, ou software, ser bom ou ser ruim, mas sobre o como usaremos a máquina, qual o conteúdo a ser ensinado e de que forma usaremos esse recurso para nos auxiliar em sala de aula.
Cabe então, para finalizar, uma frase de Paulo Freire:

“Para o “educador- bancário”, na sua antidialogicidade, a pergunta, obviamente não é a propósito do conteúdo do diálogo, que para ele não existe, mas a respeito do programa sobre o qual dissertará a seus alunos. E a esta pergunta responderá ele mesmo, organizando seu programa.”

O que somos então:
Um “educador-bancário” com uma nova ferramenta, ou um educador crítico com um novo recurso?