Maio 2006
Arquivo Mensal
A educação para vida…
Arquivo Mensal
Publicado por Nivaldo Jr em 20 Mai 2006 | sob: Cartas a Veja
Juro que tentei montar um texto “bacaninha” para escrever como introdução à carta que segue, mas creio que meu espirito de educador bonzinho está se esgotando, fiquei extremamente irritado com duas reportagens da revista Veja ( revista esta, que após me desapontar novamente, prometi nunca mais folheá-la em busca de informação enquanto perceber essa linha tendenciosa que paira sobre este edital) decidi então mandar uma carta à revista.
A carta esta “cega” por algum tipo de sentimento e pode ter acontecido de alguns erros passarem desapercebidos por mim, mas decidi publicar aqui a cartinha enviada a Veja.
A/c Revista Veja
Sou formado em Ciências da Computação e sou graduando do curso de pedagogia da universidade São Judas Tadeu.
Recentemente estou percebendo que a revista Veja tem dado o devido destaque ao debate educacional, mas aos poucos estou percebendo certo sensacionalismo inerente àqueles que não sabem o que diz, mas tudo dizem.
Estou completamente indignado com o fato de a revista tratar o Construtivismo como um simples método educacional de alfabetização, o que é um absurdo. Numa pequena pesquisa em qualquer site de busca com a seguinte pergunta “o que é construtivismo” seremos levados à uma série de sites que de uma forma ou outra nos mostram o que realmente é tal proposta.
A revista Veja, que é uma das mais lidas revistas em circulação, deveria se preocupar um pouco mais com a veracidade e qualidade daquilo que escreve e publica, pois geralmente isso é tomado como verdade absoluta entre aqueles que a lêem. Ao afirmar que 60% das escolas brasileiras são construtivistas a revista certamente erra, as escolas brasileiras em sua maioria são tradicionais, basta analisar o currículo que elas empregam na educação, agora caso encontremos algum currículo que indique uma proposta construtivista, ainda teremos que olhar a maneira como essa escola trabalha.
Outra grande besteira feita pela revista foi confirmar que as escolas européias e Norte Americanas usam o método fônico e não são construtivistas, ora, a Europa é o maior berço do construtivismo e nada impede que uma proposta construtivista utilize, como parte do processo, algo fônico. Na realidade o processo de construção em si é, em parte fônico.
Associar o fracasso da educação no Brasil ao método que está sendo aplicado nas escolas (e podemos facilmente perceber que é um método tradicional de ensino na grande maioria das escolas, outra grande parte está num processo de transição, mudando do tradicional para o construtivista, e por fim uma pequena minoria já está utilizando-se da proposta construtivista) é certamente um erro, seria como em um time de futebol que só perde de goleada trocar o atacante do time pois ele não faz gol. O método utilizado pelo professor no processo de alfabetização certamente deve ser discutido, mas não ser colocado como o principal fator que leva a educação brasileira a ser a pior educação do mundo, outros fatores devem ser levados em conta, fatores políticos, fatores culturais, etc.
Mas essa visão que a revista mostra pode ser justificada pelo absurdo cometido pela revista na sua edição de 3 de maio de 2006, em seu suplemento Veja São Paulo, na capa da revista lemos:
“O futuro já chegou às escolas – simuladores de realidade virtual, internet sem fio e lousas digitais estão revolucionando as aulas nos colégios paulistas”
Tenho 28 anos e nasci na cidade de São Paulo, leciono deste os meus 19 anos em escola particular, tenho amigos educadores que também trabalham em escola particular e posso garantir que o futuro chegou a uma pequeníssima parte dos colégios paulistas, simuladores de realidade virtual, isso é parte de uma minoria, que certamente pode ser contada nos dedos.
Para ser bem otimista vou pensar que na cidade de São Paulo 200 colégios utilizam tais aparelhos, num universo de centenas e milhares de escolas, esse número chega a ser irrisório e, na realidade, não acredito que essas escolas somadas cheguem a 100 unidades.
Logo, uma revista que parte de um pressuposto que se uma pequena parte dos colégios particulares da cidade utilizam de tal tecnologia é o suficiente para ter em sua capa: “O futuro já chegou às escolas – simuladores de realidade virtual, internet sem fio e lousas digitais estão revolucionando as aulas nos colégios paulistas” quando na realidade muitas das escolas nem computadores possuem e outras ainda lutam por paredes, pode-se esperar que essa mesma revista coloque o Construtivismo como método e ainda comece a questionar a eficácia de tal proposta.
Para não ficar nesta de apenas criticar, procurem um profissional da área de educação que realmente entenda o que é construtivismo, escutem esse profissional, debatam com ele, vejam os pontos fortes e fracos de uma ou outra proposta educacional. Enquanto a intenção dos pensadores for a de achar um culpado, seja ele um método, modelo ou proposta, certamente a educação nacional não terá futuro. É preciso sentar e discutir propostas e não atacá-las.
Em relação a tecnologia educacional, procurem algo sobre webquests, podcast, webgincana, etc. Certamente isso está mais perto da realidade de uma porcentagem de escolas da cidade.
Atenciosamente
Nivaldo Junior
Publicado por Nivaldo Jr em 14 Mai 2006 | sob: Pessoal
Olá a todos.
Hoje estou decidido a deixar de lado as minhas críticas às datas comemorativas por um instante. Sim, também tenho algumas críticas ao dia das mães principalmente ao modo como ele é trabalhado nas escolas, somos preparados para ser consumidores e aprendemos que temos que ter uma “lembrancinha” para dar para a mamãe. Essa “lembrancinha” pode ser ou uma apresentação com uma “musiquinha bonitinha” que fala da importância da mamãe, ou um celular de apenas 1 real e que você fala em dobro, mas vamos esquecer tudo isso hoje, afinal é o dia das Mães.
Bom, o verdadeiro motivo para eu deixar essas críticas de lado é tentar falar um pouco da importância que minha mãe teve, e tem, na minha vida profissional, pessoal e acadêmica.
Apesar de ter “apenas” 28 anos tenho alguma dificuldade de lembrar do passado, mas lembro-me de ter sido a minha mãe a primeira pessoa a me dar um computador, isso quando eu estava na 3ª Série do Ensino fundamental. Calma deixe-me explicar: não sou nenhum prodígio e tão pouco um milionário para ter um computador em aproximadamente 1984, mas lembro de ter visto um jogo em um mercado e queria porque queria. Era uma espécie de jogo de montar e após montado tínhamos uma haste ligada a um ímã e uma folha com dois furos, e algumas perguntas envolta dos furos… ahh isso está ficando muito chato! Era um computador de papelão que na realidade me decepcionei após montá-lo, ele não fazia nada demais. Nem precisava ligar na tomada, mas foi minha mãe quem me deu esse brinquedo. Pedi à ela e a sua resposta foi: “Você acha que merece?”, e por lógica respondi “Sim”, mas foi um sim sincero.
Foi para minha mãe que escrevi o meu primeiro poema (sim eu escrevo poemas, não gosto do que escrevo, mas escrevo). Por lógica não tenho mais esse texto e creio que minha mãe também não o possua, mas foi um poema feito para o dia das mães (ou para o seu aniversário), disto eu tenho certeza.
Em relação à minha vontade pedagógica, é lógico que me espelho nela, temos algumas diferenças o que é comum, mas certamente ela é o meu maior espelho.
Hoje, sou formado em Ciências da Computação, lembra do computador de papelão que minha mãe me deu? Estou cursando o último ano de pedagogia, existirá uma pratica pedagógica mais adequada que a de fazer a criança refletir sobre o que ela realmente merece? “Você acha que merece?”, e escrevo coluna sobre Técnica Orientada ao Objeto.
Na realidade percebi que “apenas fiquei grande”, mas no fundo no fundo, ainda sou uma criança que sonha em mudar o mundo com seu computador de papel, adora escrever aquilo que sente e um dia vai brincar de escolinha de verdade.
Obrigado Mãe por isso…
PS. 1- Isso não é “puxa-saquismo” pois minha mãe nunca irá ler esse texto. Ela tem aversão à tecnologia.
2- Obrigado novamente ao Professor João pela ajuda com a gramática do texto.
Publicado por Nivaldo Jr em 01 Mai 2006 | sob: Ferramentas
Olá galera…
Bem, na sexta-feira (28/04/2006) durante a aula, o professor Jarbas nos deu uma idéia melhor de webGincana, usando a teoria de Benjamin Bloom (Bloom’s taxonomy).
Montei um breve resumo daquilo que o professor nos disse e seguem as idéias:
Segundo Benjamin Bloom as questões educacionais estão “agrupadas” em níveis diferentes de abstração, que, para o autor essa abstração pode ser dividida em:
Conhecimento
Compreensão
Aplicação
Análise
Síntese
Avaliação
Cada uma destas áreas possui uma finalidade especifica, conforme podemos ver em: http://www.coun.uvic.ca/learn/program/hndouts/bloom.html. O site está em inglês, mas irei traduzir e publicar no site linux na escola.
Agora podemos ir ao assunto principal deste post: a webGincana. Ela trabalha com os dois primeiros níveis de conhecimento (Conhecimento e Compreensão), logo, não podemos em uma webGincana pensar em argumentação, síntese, etc.
E o que isso tem de importante?
Muita coisa…
A webQuest é, em minha opinião, algo que veio a inovar e mudar um pouco a “mesmisse” da educação, mas é um modelo completamente falho, e na realidade se torna falho, quando pensamos em trabalhar nesses dois níveis de conhecimento. Certamente uma webQuest que trabalhasse nos níveis de compreensão e conhecimento, teria a tarefa mais chata do mundo, pois fatalmente iria cair num processo de perguntas e respostas e, para isso não precisamos de computador.
A webGincana realmente lembra muito um questionário e poderia ser tornar uma atividade chata mas, ao trabalhar como uma gincana estimulando algum tipo de competição ela perde esse caráter de questionário. Você já dividiu a sua sala e fez uma espécie de meninas contra meninos? Isso funciona até hoje, basta olhar os programas infantis “e quem vai ganhar? Meninos ou meninas?” O que é um reality show além de uma competição?
A idéia então é trabalhar com o modelo de gincana, webGincana, quando estivermos pensando tratar aquilo que Benjamin Bloom chama de Nível de Conhecimento, ou aquilo que ele chama de Nível de Compreensão. Para os demais níveis usaremos a boa e nova webQuest.
Além de existirem outras formas de Técnicas Educativas, como o uso de blogger, os podcasts, etc, esses dois modelos podem ser muito úteis no processo educacional.
Agora peço licença para fazer um “mea-culpa”. Passei um bom tempo comparando os dois modelos e hoje percebo que isso é um grande equívoco. Eles trabalham em “lugares” diferentes, e seria como comparar um atacante a um zagueiro. Qual é melhor? Ora, não há comparação pois cada um tem função diferente. Perdão, então, a todos que levei a fazer o mesmo tipo de questionamento que fiz.
Abraços
Nivaldo Junior
PS.
Novamente Agradeço ao Professor João pela mão com a Língua Portuguesa.