Março 2006
Arquivo Mensal
A educação para vida…
Arquivo Mensal
Publicado por Nivaldo Jr em 27 Mar 2006 | sob: Bate-papo
“Vagabundo não o que cata latinha.. e sim o que estuda em escola particular vai fazer UNI-BLABLABLA”
Essa era a frase de um ex-aluno meu no MSN (Na realidade não é apenas um aluno, é um primo que já foi aluno e sempre foi como um irmão), ao questioná-lo do motivo da violência no nick ele respondeu:
“Ah mano se liga.. manja as minas da minha sala.. tudo se mataram de estudar.. aluno nota 10 na escola.. e tão fazendo Uniblablabla.. dai me vira e fala que catador de latinha é vagabundo.. (um palavrão).. o cara não teve oportunidade igual a eles.. e ta ae lutando”
Mesmo a contra gosto vou fazer vista grossa para o preconceito mostrado por ele em alunos que estudam na uniblablabla e vou ater-me apenas no fato que me interessa, a questão da visão que temos do catador de latinha.
Estou num momento em minha vida onde faço uma re-leitura de alguns livros livros, acabei de reler Educação Profissional: Saberes do Ócio ou Saberes do Trabalho? ( Que ate ontem jurava que o título era: Educação Profissional: Saberes do Ócio ou Saberes do Ofício?) do meu professor Jarbas, e agora estou relendo Edgar Morin: Os sete saberes necessários à educação do futuro, isso mostra um pouco desta minha fase filosófica que estou passando.
Tentei explicar ao meu primo essa questão do pré-conceito aos serviços manuais, usei até o exemplo do pedreiro que encontrei no livro do jarbas, mas não adiantou muito, foi quando lembrei-me da teoria de Edgar Morin:
“As teorias resistem à agressão das teorias inimigas ou dos argumentos contrários. Ainda que as teorias científicas sejam as únicas a aceitar a possibilidade de serem refutadas, tentem a manifestar resistência. Quanto as doutrinas, que são teorias fechadas sobre elas mesmas e absolutamente convencidas de sua verdade, são invulneráveis a qualquer critica que denuncie seus erros;”
Percebi nesse momento que somos “doutrinados” a ver trabalhos manuais como resultado de uma educação de vagabundo. Quem nunca escutou ou nunca disse em uma sala de aula: “Estuda, senão vai virar lixeiro”, “Olha se continuar assim vagabundo, vai virar catador de latinha”? Ou coisa do gênero? Nos, educadores, estamos transformando a educação e desta forma transformando os alunos em sujeitos doutrinados a entender que o pouco valorizado é vagabundo, e isto me parece ser histórico ao lembrar que a algum tempo atrás, atriz, cantoras, cantores eram vistos como prostitutas e vagabundos.
Hoje, mesmo com toda esse avanço (que confesso ainda não ter enxergado) na educação, vemos que somos resultados de uma educação exclusiva, no sentido de excluir, que nos ensinou a ver o pobre como ladrão, o branco como certo, o negro como errado, o rico como inteligente e o mundo como sendo dos espertos. Se, enquanto educadores temos obrigação de refletir, começaremos então pelo nosso discurso. Ao invés de dizer estuda senão vai virar catador de latinha, vamos dizer estuda, senão você não vai nem entender a importância que tem um catador de latinha para uma sociedade como a nossa? Me parece mais justo, pois, conforme meu primo:
“veio o catador de latinha.. o cara não tem o que comer.. não teve oportunidade… e o único modo dele sobreviver.. e ainda digo mais… o catador de latinha faz mais pela cidade do que qualquer pessoa”
Nivaldo Junior – refletindo num bate papo com André Henrique.
Sugestão de leitura:
Publicado por Nivaldo Jr em 25 Mar 2006 | sob: Pessoal
Olá pessoal…
Bem estou hoje iniciando as atividades em meu blog, na realidade a idéia é fazer deste bloger um espaço para refletir sobre o papel do educador no mundo, aqui representando sociedade, comunidade, etc, em quem vivemos. Na realidade, irei usar esse espaço para analisar propostas educacionais relatando experiências vividas por mim.
Reflexões pessoais sobre propostas educacionais, a relação professor aluno, o professor no século XXI. Caso fosse buscar um título para esse blog seria algo como “Reflexões de um educador frustrado” ou algo do gênero, mas acredito que esse título não seria legal.
Bom, como trata-se de um primeiro post, acho melhor falar um pouco de mim antes de começar a escrever sobre o assunto. Meu nome é Nivaldo Junior, na realidade tem algo entre o Nivaldo e o Junior mas isso vou colocar apenas nos detalhes do blog. No ano de 2001, me formei em Ciências da Computação, iniciando pós-graduação em Engenharia de Software, mas com um ano de curso tranquei a matrícula; não era bem isso que queria pra mim naquele momento. Fiquei o ano de 2003 realizando cursos técnicos, me especializando em assuntos de computação como Orientação ao Objeto, Java, Redes e Sistemas Operacionais (Linux e Windows). Em 2004, a pedido da supervisora da escola em que lecionava, iniciei o curso de Licenciatura e obtive meu primeiro contato com alguns pensadores como: Edgar Morin, Paulo Freire, A.R. Luria, Cipriano Luckesi, Vygotsky (que creio que aprendi a escrever o nome hoje), ente outros tantos que ocupariam uma página inteira, a leitura e principalmente as aulas de alguns professores me sensibilizaram para o estudo da prática pedagógica e então cresceu a fome da leitura e do conhecer em mim.
No ano de 2005 iniciei o curso de pedagogia para licenciados e nesse mesmo ano inaugurei, meio que perdidamente, o site Linux na Escola, graças a pessoas como Eziquiel Menta , Marli Dagnese Fiorentin, Jarbas Novelino Barato, o pessoal da Comunidade Digital Brasileira e João Carlos Pereira Ortiz, o site possui cerca de 3000 visitas por mês e hoje escrevo para o Site Linux Na Escola, mantenho uma coluna sobre Orientação ao Objeto no site www.mundooo.com.br, escrevo algo sobre futebol para um outro site, mantenho artigos periódicos no linux na escola e agora estarei aqui, com no mínimo um texto semanal sobre educação.
Ontem, dia 25/03/2006, publiquei um texto no site linux na escola que retrata um pouco daquilo que quero estar falando aqui, caso tenha interesse, dê uma olhadinha no texto clicando aqui.
Bom, acho que por hoje chega, essa semana estarei postando algo mais.
Abraços
Nivaldo Junior