Sobre Paulo Freire - Por Ana Maria Saul

Publicado por Nivaldo Jr em 28 Ago 2008 | sob: Cartas a Veja

Quero registrar a minha indignação frente à reportagem da Revista VEJA de 20/08/2008, especialmente no que diz respeito aos comentários sobre o Professor Paulo Freire.
As repórteres demonstram muito mais que desinformação; contraditoriamente, defendem a neutralidade da educação porém, evidenciam, nessa matéria, posições políticas em relação ao ensino, comprovando que a neutralidade da educação é um mito, como afirmou o professor Paulo Freire, há mais de três décadas.
É importante registrar que Paulo Freire é reconhecido, mundialmente , como um dos maiores educadores do século XX, por ser autor de uma pedagogia crítica a favor dos oprimidos. Toda a sua vida e obra são marcadas pela defesa da ética universal do ser humano. Escreve Freire, em Pedagogia da Autonomia (1996) :

(…) Falo da ética que condena o cinismo do discurso […] , que condena a exploração da força de trbalho do ser humano, que condena acusar por ouvir dizer, afirmar que alguém falou A sabendo que foi dito B, falsear a verdade, iludir o incauto, golpear o fraco e indefeso, soterrar o sonho e a utopia, prometer sabendo que não cumprirá a promessa, testemunhar mentiroamente, falar mal dos outros pelo gosto de fala mal (…) A ética de que falo é a que se sabe afrontada na manisfestação discriminatória de raça, de gênero , de classe(…).

A atualidade do seu pensamento vem sendo atestada pela multiplicidade de experiências que se desenvolvem tomando o seu pensamento como referência, em diferentes áreas do conhecimento. A crescente publicação das obras de Paulo Freire, em dezenas de idiomas, a ampliação de fóruns, cátedras e centros de pesquisa criados para pesquisar e debater o legado freireano, são indicações da grande vitalidade do seu pensamento.
As obras de Paulo Freire, incluindo mais de 20 livros foram e ainda são publicadas em dezenas de países. O seu livro mais importante, Pedagogia do Oprimido, foi traduzido em mais de vinte idiomas, com tiragem já na marca dos quinhentos mil exemplares.
Essa projeção confere ao conjunto de suas produções o caráter de uma obra universal. A essas evidências acrescente-se o grande número de sistemas públicos de ensino no Brasil que têm , especialmente nos últimos vinte anos, tomado a proposta freireana como referência para o seu trabalho. Frente a esses fatos, não se pode aceitar que os professores que valorizaram a contribuição de Paulo Freire, mencionados nessa reportagem da Veja, “idolatram um arcano e estão no passado”. No mínimo, essas afirmações equivocadas, sem fundamento e irreverentes, não merecem qualquer crédito.

Ana Maria Saul é doutora em Educação, professora titular da PUC/SP e Coordenadora da Cátedra Paulo Freire.da PUC de São Paulo.

Resposta à matéria trazida na Veja de 20.08.2008 - Por Silvana Lemos

Publicado por Nivaldo Jr em 20 Ago 2008 | sob: Cartas a Veja

Ao ler a matéria sobre – Especial Educação – Você sabe o que estão ensinando a ele?
Redigido por Mônica Weinberg e Camila Pereira, quero elucidar o porquê os educadores compartilham da concepção de educação concebida e defendida por Paulo Freire.
Afirmo que 29% dos educadores que na atualidade defendem suas idéias, assim o fazem não porque o idolatramos ingenuamente, mas ter sido um dos maiores educadores e filósofos da educação do século XX. O mesmo foi consagrado por conceber a alfabetização como um meio para democratizar a cultura e como oportunidade para que os indivíduos realizem uma reflexão de suas relações com o mundo.
Paulo Freire cria uma concepção de alfabetização que modifica radicalmente o material com que se alfabetiza e, portanto, a intencionalidade com que se alfabetiza.
O convite que Paulo Freire fez reiteradamente em suas obras aos educadores continua sendo extremamente atual e pertinente. Representa afirmar sim, que este profissional da educação faz escolhas e suas práticas educativas estarão a serviço de um projeto social e contra outro. Freire em sua obra: Política e Educação (2001, p.41) relata que sua primeira afirmação sobre a impossibilidade de a educação ser neutra é a de que a qualidade pela qual lutamos nos faz eleger e assumir valores, princípios que estarão em função de um projeto social. E, como não dizer que a atual “qualidade” da educação está a serviço de interesses de classes ou de grupos. Como dizia Freire, há formas antagônicas de ver a verdade - a dos dominantes e a dos dominados. “No fundo, ocultar ou desocultar verdades não é uma prática neutra”.
Em seus primeiros escritos – Pedagogia do Oprimido, 1967, o mesmo já defendia o que o papel do educador era de não falar ao povo sobre a nossa visão de mundo, ou impô-la, mas a de dialogar com ele sobre a sua e a nossa.
O que não é possível é estar neste mundo e com os outros seres humanos sem refletirmos sobre o por que fazemos o que fazemos, a favor de que e de quem agimos desta forma. E é neste domínio do ser humano como Presença no mundo que comparecemos à História não apenas como seu objeto, mas como sujeito, capaz de pensar, falar, sentir, comparar, valorar, avaliar, optar, romper, decidir, apreender, aprender, ensinar, consciente si mesmo como um ser no mundo, com o mundo e com os outros seres humanos, tornando-se uma Presença crítica no mundo.

Para nós educadores progressistas a prática educativa será sempre aquela que desoculta/ desvela a razão pelo qual estamos sendo na realidade. Lutamos não por qualquer tipo de qualidade em educação, mas por uma certa qualidade de educação. A favor de um projeto social e de ser humano. Paulo Freire (2001, p. 43) lutou por concretizar na administração da cidade de São Paulo, no período de (1989-1992), como Secretario da Educação, uma educação a serviço das classes trabalhadoras e a favor de uma prática educativa séria, rigorosa, democrática, alegre e em nada discriminadora nem dos renegados e nem dos favorecidos. Uma prática fundamentalmente desveladora das verdades, desocultadora, iluminadora das tramas sociais e históricas.
A concepção de qualidade para Paulo Freire era aquela que desafiava os educadores e educandos, os pais, funcionários, direção da escola, a comunidade escolar a participar da reconstrução da escola pública e popular.
Acredito que o pensamento de Paulo Freire, com certeza, esteja em oposição aos interesses de um grupo ou de classes sociais vigentes em nosso país, porque o mesmo defendia, como muitos de nós defendemos, que o nosso exercício ético em sala de aula reside sim, em expormos as nossas razões porque defendemos determinados autores e realizamos uma certa leitura que se distancia de outras formas de se compreender a realidade atual.
Compartilho da posição defendida por Freire em que o mesmo diz que a riqueza reside em dialogarmos com nossos educandos no sentido de pesquisarmos e realizarmos uma leitura crítica dos diferentes pontos de vista defendidos na atualidade. E, aí sim, através do exercício consciente, crítico de pensar a vida, o educando possa construir sua visão e intervenção no mundo.
Não há exercício democrático e ético se não testemunharmos aos nossos educandos o que pensamos e por que pensamos. Freire dizia:
“Não pode haver caminho mais ético, mais verdadeiramente democrático do que testemunhar aos educandos como pensamos, as razões por que pensamos desta ou daquela forma, os nossos sonhos, os sonhos por que brigamos, mas ao mesmo tempo, dando-lhes provas concretas, irrefutáveis, de que respeitamos suas opções em oposição às nossas. (…)
Falamos em ética e em postura substantivamente democrática porque, não sendo neutra, a prática educativa, a formação humana, implica opções, rupturas, decisões, estar com e pôr-se contra, a favor de alguém. E é exatamente este imperativo que exige a eticidade do educador e sua necessária militância democrática a lhe exigir a vigilância permanente no sentido da coerência entre o discurso e a prática.” (2001, p.38).
Para Paulo Freire o processo de alfabetização é um projeto político no qual homens e mulheres afirmam o seu direito e sua responsabilidade não apenas de ler, compreender e transformar suas experiências pessoais, mas a possibilidade de erguer suas vozes na refeitura desse mundo. Freire expressa reiteradamente em suas obras a importância do respeito por parte do educador em relação à leitura de mundo do educando, não somente pela oportunidade de melhor conhecer o nível cognitivo e afetivo e a sua situação existencial, mas o de reconhecer que o saber que traz à escola tem relevância cultural, social e histórico. A leitura de mundo revela também a inteligência de cada um nesse processo de viver o mundo. Respeitar a leitura de mundo não é uma tática em que o educador procura ser mais simpático ao educando, é uma concepção democrática de construir o currículo na qual se revela que o “saber de experiência feito” e a curiosidade que o aluno traz à escola serão o ponto de partida para ir mais além, e nunca o ponto de chegada.
O processo de alfabetização representa a possibilidade de escolher temas críticos da cultura estudantil, possibilitando ao educador iniciar o processo de estudos a partir dos níveis cognitivos e políticos dos educandos, para ver com que tipo de pensamento crítico, de instrução e de idéias políticas eles trazem ao curso. Isto representa dizer que o início do percurso se inicia através do respeito ao saber que o educando traz à escola como o ponto de partida real, concreto, do senso comum, para ao longo dos estudos superar esta compreensão ingênua, tornando-a mais rigorosa e científica.
Representa ainda afirmar que para Paulo Freire, a alfabetização crítica e libertadora é a oportunidade de o educando refletir sobre a sua própria capacidade de refletir. De refletir sua existência. É um processo que o desafia a ler a palavra e aprender a escrevê-la, convidando-o a continuar a re-leitura do mundo na qual a mesma se originou. Para ele a alfabetização só tem sentido quando se dá “num encontro”:
“Um encontro de consciências”. Reflexão sobre a própria alfabetização, que deixa assim de ser algo externo ao homem, para ser dele mesmo. Para sair de dentro de si, em relação com o mundo, como uma criação.
Só assim nos parece válido o trabalho de alfabetização, em que a palavra seja compreendida pelo homem na sua justa significação: como uma força de transformação do mundo. Só assim a alfabetização tem sentido”.
(2003, p150).
Finalizo a minha resposta, resgatando mais uma fala de Paulo Freire, em seu livro Pedagogia da Autonomia, onde o autor afirma a sua real preocupação e lealdade. Freire explica que defende que os avanços da ciência, o desenvolvimento econômico devem estar a serviço dos seres humanos, portanto, a elaboração e execução de políticas governamentais devem privilegiar fundamentalmente o homem e a mulher . Por isso, a grande lealdade e preocupação a que Freire está vinculado, acima de tudo, é com a solidariedade humana.
“É neste sentido que jamais abandonei a minha preocupação com a natureza humana, a que devo a minha lealdade sempre proclamada. Antes mesmos de ler Marx já fazia minhas as suas palavras: já fundava a minha radicalidade na defesa dos legítimos interesses humanos. Nenhuma teoria da transformação política-social do mundo me comove, sequer, sem ao parte de uma compreensão do homem e da mulher enquanto seus fazedores da História e por ela feitos, seres de3 decisão, da ruptura, da opção. Seres éticos, mesmo capazes de transgredir a ética indispensável, algo de que tenho insistentemente “falado” neste texto. Tenho afirmado e reafirmado o quanto realmente me alegra saber-me um ser condicionado mas capaz de ultrapassar o próprio condicionamento. A grande força sobre que alicerça-se a nova rebeldia é a ética universal do ser humano e não a do mercado, insensível a todo reclamo das gentes e apenas aberta à gulodice do lucro. É a ética da solidariedade humana.
((2001, p.145-146).
Em síntese, Paulo Freire construiu uma concepção de alfabetização que põe o “método” a serviço de uma certa política e filosofia da educação.
Por ter sido reconhecido como um grande educador e pensador pela comunidade acadêmica e pelos educadores, seus livros foram publicados em mais de vinte línguas e o mesmo recebeu o título de Doutor honoris causa de 28 universidades espalhadas pelo mundo e também 26 centros de pesquisa recebem o seu nome. A contribuição de Paulo Freire foi além de um método, concebeu uma concepção de alfabetização que revolucionou as idéias até então em circulação. Paulo Freire é autor de uma proposta de alfabetização crítica, de uma filosofia e uma pedagogia.

Silvana Donadio Vilela Lemos
Doutoranda do curso de Educação e Currículo – PUC/SP
PUC/SP

Livros consultados:
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia - Saberes necessários à Pratica educativa. 2001,17º edição, Paz e Terra, Rio de Janeiro.
FREIRE, Paulo. Política e Educação. 2001, 6º edição, Cortez, São Paulo.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 1987, 27º edição, Paz e Terra, Rio de Janeiro.
FREIRE, Paulo. Educação como Prática da Liberdade. 2003, 27º, Paz e Terra, Rio de Janeiro.

O retorno I

Publicado por Nivaldo Jr em 09 Jul 2008 | sob: Pessoal

Nesse semestre a professora Isabel Cappelletti propôs que parte de sua avaliação fosse através de um relato focado na prática do semestre. Achei, em um primeiro momento, a idéia maravilhosa. Havia tempo que não escrevia, de alguma forma, livre das formalidades acadêmicas.
Inicio assim o post para tentar deixar claro a vocês a importância, ao menos a mim, deste blog (pois é aqui onde escrevo de forma livre), daquilo que escrevo aqui e principalmente dos comentários que aqui recebo.
Quando uma pessoa conhecida, amiga ou colega comenta no blogger, fico maravilhadamente feliz. Há algumas pessoas que, por incrível que pareça, acompanham meu blogger, acho isso meio maravilhosamente louco.
Agora acho que tenho aquilo que os franceses chamam de “La Petit Mort”, ou seja Gozo, com ‘G’ maiúsculo, quando uma pessoa desconhecida comenta em meu blogger.
Pois além dela ler meu texto, ela ainda se deu ao trabalho de comentar meu texto, vocês sabem quantas vezes um professor comentou um texto meu? Contam-se nos dedos da professora Isabel aqueles que me deram algum tipo de devolutiva satisfatória.
Hoje, graças a vocês amigos, leitores e você que só chegou aqui amanhã, posso escrever: Tinha grandes medos ao escrever.
Como sempre digo, redizendo Paulo Freire,: “chego onde estou com uma história forjada por mim e por outros” digo isso, pois grande parte da minha historia escolar, é caracterizada por uma tentativa de cunhar em mim o rótulo de sujeito que não sabe aprender a escrever.
Escutei de inúmeras pessoas que trabalhavam na educação frases como: “Você nunca vai aprender a escrever não garoto?”, “Nivaldo, sai da escola, você esta se enganando aqui”, “Olha eu faço o meu possível, mas ele não vai…”
Frases como essas marcam. Marcaram e sempre marcarão.
Referi-me a essas pessoas como pessoas que trabalham na educação pois nunca chamarei um sujeito desses de professor, de educador. Esses sujeitos caíram de pára-quedas em uma sala de aula. E, certamente, não sabem o que estão fazendo lá.
E agora agradeço a vocês que lêem e comentam aqui, os meus verdadeiros professores, pessoas que me cobram diretamente “1,2,3 Atualiza o blog”, pessoas que me cobram indiretamente “E ai mano.. perdeu a senha do blog?”, pessoas que simplesmente fazem de mim aquilo que sou.
Agradeço a todos pelo carinho e atenção dispensada nesse tempinho de ausência. Mas quero agradecer em especial ao eterno professor João. Mais que amigo, mais que coordenador, mais que profissional: Complicadamente o humano que mais me ajuda a ser humano.
Atenciosamente
Nivaldo Junior.

Azucar pimienta y Sal

Publicado por Nivaldo Jr em 25 Mai 2008 | sob: Pessoal

Reconheço velhos sentimentos, experimentando e re-experimentando seus sentidos e significados num outro tempo. Tempero-os com novas fragrâncias, dando-lhes novos sabores que amargam ou adoçam minha vida.
Creio que redescubro minha vida. Percebo mudanças e percebo pessoas que fazem parte dessas mudanças, são novos temperos, novos ingredientes que me fazem ora cheio do sabor da minha vida ora cansado de seu gosto amargo ou doce.
Passei quase uma semana longe daqueles que mais gosto. Fiquei um bom tempo distante de pessoas importantes e senti falta de cada “tempero” que essas pessoas me trazem.
Sou sensabor quando estou sozinho e não gosto de vida insípida. Preciso dos meus temperos para me sentir completo e, talvez por isso, nunca tive tanta certeza que a minha profissão é professor, estar com gentes e para as gentes pois, descobri que quando me afasto das gentes, das pessoas, não tenho apenas saudades delas, eu preciso delas.
É mais que querer estar junto. Supera o lembrar o ontem e querê-lo hoje. É não ver a graça da vida sem elas. É precisar delas para a vida saborear.
Definitivamente tenho novos amigos e amigas, pessoas que fazem mais do que parte da minha vida, pessoas sem as quais minha vida perde o sentido. Perde a razão.
Escrevo esse post para agradecer essas pessoas, a esses temperos tão maravilhosos que trazem o amargo e o doce da minha vida. Pessoas que ao mesmo tempo me dão medo do futuro e coragem para lutar por um futuro melhor e que são, sem dúvidas, a razão de meu existir.
Obrigado a todos por me fazerem comigo.

Precisamos nos mobilizar.

Publicado por Nivaldo Jr em 09 Abr 2008 | sob: Pessoal

Ola amigos e amigas

Bom o post de hoje tem “endereço certo”, mesmo sabendo que dificilmente ele vai chegar onde quero, resolvi hastear essa bandeira.
Há algum tempo preocupo-me com algo chamado Narguilé (ou Arguilé se preferir) e hoje decidi abrir fogo contra tal veneno que vem consumindo os jovens, pois vejo pessoas que eu gosto, de alguma forma, se entregando a isso.
E nessa batalha, briga, guerra, vou precisar de toda a ajuda possível, todos que souberem como posso agir, o que podemos fazer, como podemos trabalhar esse assunto na escola, por favor, me avisem. É questão de desespero mesmo.
Enquanto me preparo mais, vou começar essa batalha desvelando algumas mentiras:
Meu primo falou para mim que “escutou alguém falar”: 100 baforadas de arguilé equivalem a um cigarro, que é fraquinho e que não pega nada.
Fui pesquisar:
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, uma única sessão de narguilé, pode equivaler a você fumar 100 cigarros.
Ou seja, imagine alguém que fume 5 maços de cigarros por dia, um maço desses que vem 20 cigarros, você acha muito? Pois bem, em uma sessão de arguilé você pode consumir o equivalente a 5 caixinhas de cigarros.
Pense nisso um pouco.

Estamos bem mesmo sem você… (1)

Publicado por Nivaldo Jr em 06 Abr 2008 | sob: Pessoal

É essa a idéia que percebi ao visitar um flog de um ex-aluno (eterno professor) Victor: Estamos bem mesmo sem você.
Deixe me explicar, não que o perceba como se estivesse jogando algo na minha cara, (algo como “ta vendo?? Você não acreditava? To aqui, e bem.” ) assim como não o entendo me agradecendo pelos serviços prestados é, na verdade, um misto dos dois.
É como se fosse, e talvez seja, um aprender e, como todo aprender, é permanente. Estou aprendendo com meu passado, com aqueles que de alguma forma fizeram parte dele. A cada dia mais percebo que esse passado faz parte do que sou. Hoje penso que sou aquilo que fiz de mim, mas não me fiz sozinho e sei que todos aqueles que me fizeram, certamente, se fizeram comigo.
Ontem, quatro de abril de 2008, vi duas cenas que me fizeram mais indignado. Foram, obviamente, duas cenas de abuso de poder de educadores com seus educandos. Sempre vejo essas cenas, são comuns embora tristes, mas ontem pela primeira vez vi uma que justificaria um “tapa na cara” da professora, sei que no futuro vou me arrepender de ter escrito isso, mas juro que se fosse pai daquele aluno teria, de alguma forma, agredido a professora.
Sei que não posso fazer isso, nem muito menos pregar isso. Mas essa indignação corrói-me. Machuca-me.
Fiquei apenas com a esperança de saber que farei de tudo para que um dia esse aluno possa demonstrar: Estamos bem mesmo sem você. E imploro para que eu entenda: Obrigado por tudo, e que cada educador veja da sua forma, mas seja justo e coerente com o que vez.
Essa imagem acabou com meu dia, a cena ficou na minha cabeça por horas e, por um instante, pensei que iria sair. Mas, assim como tudo, essa cena hoje faz parte de mim, assim como faz parte daquele aluno, daquela professora, daquela escola. Marcas que jamais serão esquecidas.
São essas marcas, as por nos deixadas em outros e as por outros deixadas em nos, que definem como estamos, são elas que fazem que as pessoas se aproximem ou se afastem de nos. Elas são nosso “cartão de visita”.
Na semana passada uma amiga falava comigo. Estava indignada com o fato das pessoas rotularem as gentes, as pessoas. Naquele dia expliquei a ela algo que já escrevi aqui no blogger sobre rótulos:

“Não luto para mudar isso, afinal cada um tem o direito de ver as pessoas a sua forma, da sua maneira e é isso que nos diferencia dos animais, nunca vi um cachorro olhando para o outro como quem diz, olha que cachorro mais vagabundo, ou então, gostei deste cachorro, ele parece ser legal.
Julgar faz parte da natureza humana e essa intuição sobre os outros parece ser salutar, mas tomar essa intuição como verdade absoluta, isso não me parece correto.
Tenho todo o direito de pensar: “Fulano é um encosta, não faz nada e vive apoiado na sombra de beltrano” mas esse direito me traz a obrigação da dúvida, será que ele realmente é assim ou eu o vejo assim? E, agora filosofando um pouco, fulano é assim ou ele está assim?”

Essa mesma amiga, na noite do dia quatro, me falou no msn algo sobre “achar lindo” a minha vontade de mudar o mundo, a minha paz, minha calma. Percebi que, ao menos a ela, essa é a minha marca. O meu rótulo. E sinceramente? Estamos bem apesar de vocês “coisificadores” de humanos.
Essa garota salvou minha noite de sono e fico grato a isso.
Minha professora de avaliação diz:
Aprendemos, apesar da escola.
Hoje eu digo:
Sobrevivemos, apesar da escola.

Abraços a todos
Nivaldo Junior

(1) - Essa é a tradução do titulo de um filme italiano: Anche Libero va Bene: um filme que trata relacionamento de um pai, abandonado pela mãe e pela esposa, com seus filhos, um casal. A idéia de usar a tradução do título é justamente essa: Estamos bem mesmo sem você.

Páscoa todo dia.

Publicado por Nivaldo Jr em 23 Mar 2008 | sob: Pensamentos

Páscoa, do hebreu “pessach” (passagem).
Da morte vicária – de cristo – para a sua vida (eterna).
Da escravidão para a liberdade do povo Judeu.

Não sou muito religioso no sentido de freqüentar templos e louvar o que quer que seja. Minha fé é uma fé mais ativa do que estagnada. Não é uma “fé” de esperar acontecer é, porém, uma fé no fazer. Explico, pois não sei que raios d’água deu em mim que me deu uma vontade enorme de escrever sobre a páscoa e, talvez mais estranho ainda, estudar sobre a páscoa.
Dentre todos os sentidos da páscoa há três os quais gostaria de me ater neste texto.

A Páscoa tem o sentido de libertação.
A Páscoa tem o sentido de ressurreição.
A Páscoa tem sentido de renovação.

Há uma característica importante em todos os três significados. O Sufixo ção.

“O sufixo –ção é, pois, um morfema agentivo/causativo , já que se adjunge a verbos agentivos/causativos, que exigem um agente: nomear/nomeação, declarar/declaração, punir/punição reparar/reparação, fundir/ fundição etc. O morfema causativo, segundo Chafe (1979, p.131), converte uma raiz verbal que é processo em uma que, por derivação, denota tanto processo como o resultado da ação.” Solange Mendes Oliveira

Logo os sentidos de Libertação, ressurreição, renovação, não estão apenas associados ao resultado da ação acontecida e, talvez, a páscoa não tenho apenas o significado de comemorarmos a Libertação, a Ressurreição e a Renovação que aconteceu num tempo passado, mas sim lembrarmos de vivermos essas ações de libertar, de nascer e de fazer o novo todos os dias.

É assim então que me vejo, vivendo estes processos. Não comemoro então a libertação acontecida, lembro-me de buscar, na minha prática, essa liberdade que não é só minha liberdade. É a liberdade de uma espécie, de um povo.
Outro ponto curioso a mim é o prefixo re que significa fazer novamente, fazer de novo. Mas não indica um começar do Zero. Partir do começo esquecendo o já feito.
Renascer – Nascer novamente, mas não nascer esquecido daquilo que viveu. Nascer sabendo o que errou, onde errou e, desta forma, nascer para o acertar, o pensar certo. O mesmo se aplica a renovar – que não é apenas fazer o novo do nada, mas um novo permeado pelo nosso velho, velho que será novo, de novo.
Mas renascer ou renovar dói. Não é o partir do zero, esquecendo nossas dores e angustias é pensar nas dores e sobre as dores. É, muitas vezes, sofrer em dor, ver o que se nega enxergar, é sentir o que não se quer sentir. É ser não aquilo que se quer ser, mas sim aquilo que se precisa ser. É renascer para o renovar.
É, então, nesse sentido que penso a páscoa e, é por isso que, vivo a páscoa todo dia. Pois, a mim educador, preciso libertar todo dia, preciso nascer do erro todo dia e preciso ser novo do meu velho todo dia.
Uma vida de páscoa é o que antes de desejar a todos e todas, espero de todos e todas.
Abraços a todos e todas.
Nivaldo Junior.

O ultimo romântico.

Publicado por Nivaldo Jr em 02 Mar 2008 | sob: Pensamentos

Graças a Deus o ano letivo começou e faço as coisas que mais amo. Estou em sala de aula. Seja como aluno, seja como professor, sinto que meu lugar é justamente ali. Entre pessoas que querem aprender e pessoas que querem ensinar.
Um dia me perguntaram o que me leva a dar aula, ia responder sem titubear, dou aula porque amo. Titubeei. Acho que não é por amar que dou aula, pois também amo jogar vídeo-game, futebol, etc. Percebi, então, que leciono pelo mesmo motivo que estudo, leciono por acreditar.
Acredito que as coisas podem ser diferentes, acredito que o mundo ainda tem salvação, acredito nos homens e nas mulheres. Simplesmente Acredito.
Esse simples ato de acreditar faz de mim um romântico. Não apenas um romântico de paixão, de amor, de bombom essas coisas, mas um romântico pela vida. Um romântico pelos homens e mulheres do mundo.
Daí hoje me perguntaram: Qual seu maior medo?
Daí sem hesitar respondi. De falhar… errei. O medo não está em falhar, está em “não acreditar mais”, em fazer por fazer. Em ensinar por ensinar, em “apreender” por “apreender”.
Tenho medo de viver por viver e, pior ainda, tenho medo de ensinar meu aluno a viver por viver. Ensinar meu aluno que a vida é assim mesmo. Que o mundo é assim.
Medo da “pedagogia da conformidade” que reina nas diversas escolas do meu país. Escolas essas que vão de programas na TV, passam por músicas “inocentemente” cantadas, revistas cuidadosamente elaboradas e, em algum momento, chegam a cartilhas pedagogicamente montadas.
Tenho pavor do conformismo e, talvez por isso, lute com tamanha veracidade. Luto a minha luta. Do meu jeito e com as minhas armas.
Talvez lute com amor ou(e) por amor ou(e) pelo amor. Mas sei que certamente luto por acreditar.
Abraços
Nivaldo Junior

Enfim, 2008.

Publicado por Nivaldo Jr em 27 Fev 2008 | sob: Pessoal

Mais um ano de trabalho e, pelo que vejo, mais um ano de muita inquietação. Minhas aulas recomeçaram e, para variar, outro ano de aulas extremamente boas.
Acho que nunca estive mais pronto para um ano letivo. Talvez por ter me afastado de toda e qualquer atividade de pesquisa nessas bateu, em mim, até uma saudade desta correria de ano letivo e, principalmente, deste Blogger.
Esse é o meu primeiro post do ano, e não vou fazer promessas de que vou alimentá-lo com freqüência, etc.etc. Prometo apenas que, ao alimentá-lo, irei fazê-lo com amor e dedicação.
Criei uma nova sessão, Lista de Filmes, um espaço onde quero postar dicas sobres filmes que vi e dicas dos cinéfilos que freqüentam esse blogger, amo cinema, sou meio que cinéfilo e quero compartilhar isso com vocês.
Bom, por hoje é só, mas vou tenho algumas novidades para esse ano, que contarei depois.
Abraços a todos.
Nivaldo Junior

O meme da página 161…

Publicado por Nivaldo Jr em 26 Nov 2007 | sob: Pessoal

Ola pessoas…

“ Sempre, ou no dia ou na noite, sempre – seja
Diverso – o mesmo olhar de desilusão
Lançado do alto da torre da ruína da igreja
Sobre o plaino vão!”

O post acima faz parte de uma brincadeira entre blogueiros: “O meme da página 161”.a idéia é pegar a quinta frase do livro mais próximo, postá-la em seu blogger e, feito isso, solicitar tal tarefa a cinco bloggers amigos.
Eu tive que “trapacear” um pouco.. Deixe-me explicar. O Livro mais próximo de mim era “A importância do ato de ler” que não tem nem 100 páginas, parti ao segundo, “O Corpo Fala“, só tem uma frase na página 161 e, por ultimo, “Luiz Fernando Veríssimo - Orgias“, 132 paginas apenas.
Então peguei o primeiro livro da estante mais próximo a mim - Fernando Pessoa - e a tarefa que era algo relativamente simples, quase se tornou uma webgincana.
Essa brincadeira chegou a mim pelo Boteco Escola do Professor Jarbas, e aqui vão os cinco bloggers amigos para os quais enviei a tarefa:

Bia Sato
Vania Karla
João Ortiz
Sheila Fávero
Prof. Kelen

Abraços a todos.

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